sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Song Review: Demons In You (Tarja com Alissa White-Gluz)

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Desde que deixou o Nightwish, Tarja Turunen vem explorando possibilidades cada vez mais diversificadas. Vide, por exemplo, o tributo ao Bolero de Ravel em “Victim Of Ritual” e o cover lírico de músicas do Rammstein e Slipknot. Em seu último álbum de estúdio, “The Shadow Self”, a cantora explora terrenos mais agressivos em “Demons In You”, que conta com a participação de Alissa White-Gluz (Arch Enemy) nos vocais secundários e guturais. O resultado? Uma peça interessante que, além de contribuir para a atmosfera sombria e melancólica do disco, evidencia muitas facetas e habilidades de ambas as vocalistas.

A música começa com um arranjo atípico nas composições de Tarja. Uma guitarra limpa, que lembra aspectos da música popular e um baixo com um slap bem desenvolvido que vão evoluindo até que ocorre uma pausa, que dá lugar ao tema pesado que guia toda a primeira parte da música.

Com isso, começa o dueto entre as duas cantoras, com Tarja fazendo os vocais limpos em primeiro plano e Alissa com seus guturais agressivos no plano de fundo, formando uma espécie de cânone que remete à uma “luta” de vozes; talvez representando o confronto interior que cada indivíduo trava contra seus demônios, tema tratado na letra da música (A capa do single também colabora para essa interpretação). Essa “luta” continua até o refrão, quando o arranjo muda e passa para uma atmosfera mais leve em que as duas vocalistas trabalham com vocais limpos.

Essa estrutura (Verso e refrão) se mantém até após o segundo refrão, quando o clima muda novamente e tem começo a parte mais interessante da faixa. Após uma ponte melódica e simples, há uma variante da estrutura do começo da música, com a guitarra limpa e os slaps do baixo. Depois disso, começa uma bem estruturada batalha de vozes. Alissa “ataca” primeiro, com um gutural forte e conciso, acompanhada por um instrumental que transmite muito bem a natureza agressiva da vocalista. Tarja “ataca” de volta com seus vocais líricos limpos, remtendo às suas canções da época do Nightwish. Apesar de breve, essa parte constitui talvez o momento mais inspirado e interessante da composição, pois nenhum dos versos cantado é falado, e mesmo assim as duas vocalistas conseguem transmitir suas mensagens e situar o ouvinte dentro de suas repectivas naturezas musicais. A música termina com uma repetição do refrão e uma última aparição de Alissa.

“Demons In You” não é somente uma demonstração da capacidade artística das duas cantoras, mas também uma prova de sua competência e versatilidade, percebida, por exemplo, nos vocais limpos de Alissa no refrão e nos versos não líricos de Tarja.

A faixa vem sendo executada constantemente por Tarja em sua turnê, porém cantando somente as suas partes, e rendeu um momento único no Wacken Open Air desse ano, em que Alissa se uniu a Tarja em sua apresentação para executarem a música em conjunto (Confira a apresentação neste link). Além disso, “Demons In You” foi lançado como single digital e físico, e conta com versões solo de cada uma das vozes.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

The Rolling Stones: Olhando no retrovisor e reverenciando suas origens. (Review - Blues & Lonesome)

Resultado de imagem para blue & lonesome rolling stones coverRespeito, gratidão, competência e muito sentimento. Essas são as definições mínimas para o último trabalho dos Rolling Stones. “Blue & Lonesome” não é um álbum comum. Os amantes do blues, incluindo este que vos escreve, estão acostumados a lançamentos de compilações do gênero, lançados por grandes artistas como Eric Clapton e Keb’ Mo’ que gravaram homenagens competentes a Roberto Johnson por exemplo.

Mas o álbum dos Stones representa algo mais, a começar pelo fato de que o blues nunca foi o carro chefe da banda. Entretanto, as suas raízes vão fundo no estilo e sempre serviram de base para suas composições. Nas palavras de Keith Richards “Se você não conhece o blues...Não há sentido em pegar uma guitarra e tocar rock’n roll ou qualquer outra forma de música popular.”

E eles escolheram o blues de Chicago e seus  compositores da velha escola para esse tributo. Aos menos avisados, nomes como Walter Jacobs, Samuel Maghett e Chester Burnett, constantes dos créditos, podem soar estranhos. Entretanto, o ouvinte mais envolvido reconhece de imediato os grandes Little Walter, que assina quatro das doze faixas, Magic Sam e Howlin’ Wolf. Outro ícone do blues de Chicago que assina duas faixas do álbum é Willie Dixon, que vem acompanhado de outros compositores menos referenciados como Lermon Horton, Jimmy Reed, Jerry West e Otis Hicks.

O álbum foi gravado em inacreditáveis três dias (11, 14 e 15.12.2015), feito inédito para a banda que foi retratado nas seguintes palavras de Mick Jagger: “Nós nunca fizemos um álbum como este antes; mesmo nosso primeiro álbum teve overdubs.” E para deixar o registro mais interessante Eric Clapton, que gravava em um estúdio próximo foi “arrastado” pela banda para participar em duas faixas: Everybody Knows About My Good Thing (Miles Grayson/Lermon Horton) e I Can’t Quit You Baby (Willie Dixon) que, por sinal, também foi gravada pelo Led Zeppelin. Outro fato digno de registro é a harmônica tocada por Mick Jagger, com todo respeito ao mestre Little Walter.

Todas as faixas são executadas mantendo-se o background original, porém com a inevitável assinatura dos músicos que fazem verdadeiras reverências ao estilo e aos seus compositores. A emoção e o sentimento tão característicos nas execuções originais podem ser percebidos nas versões apresentadas.

Para materializar a afirmação acima, ouçam a faixa título “Blue and Lonesome” de Little Walter. O blues em tom menor foi executado com primazia e deixa transparecer todo o feeling da banda. 

Destaque para a guitarra de Richards que se pronuncia a cada oportunidade e para o inspirado solo de harmônica de Jagger. Little Walter ainda se faz presente na clássica “Hate to See You Go” que lembra o estilo do não menos importante John Lee Hooker.

Outro ponto alto do álbum é a balada blues “Everybody Knows About My Good Thing”. Como se não bastasse a slide guitar de Clapton, a interpretação de Jagger está acima das expectativas e digna de um autêntico bluesman.

Enfim, para quem imagina que para se gravar um disco de blues basta selecionar algumas músicas e executá-las com técnica, aqui vão as palavras de Keith Richards: “(O Blues) é uma música superficialmente simples, mas é muito mais complexa na realidade... De onde vem isso?” A resposta foi dada por seu velho companheiro Charlie Watts que afirmou “Isto não é técnico, é emocional. Uma das coisas mais difíceis é conseguir esse sentimento.” E eles conseguiram!

Em resumo, “Blues & Lonesome” é um resgate competente, autêntico e emocionado das origens de incontáveis estilos musicais contemporâneos. Do Pop Rock ao Heavy Metal (incluindo seus sub grupos), todos são oriundos do velho e resistente blues que sobrevive em paralelo aos seus “filhos”. Nesse sentido, Mick Jagger afirmou: “Todas essas canções têm antecedentes. Nós estamos prestando nosso respeito, mas estamos levando o Blues para frente e, cheios de esperança, o apresentando à uma nova geração de fãs”.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Lista: Os Melhores de 2016



2016 foi um ano agitado para o mundo do rock/metal. Com grandes lançamentos, turnês memoráveis e perdas dolorosas, este ano vai entrar para a história.

Imagem relacionadaResultado de imagem para pumpkins unitedTalvez um dos maiores eventos tenha sido o anúncio e a realização da turnê de reunião do Guns N Roses, "Not In This Lifetime", um acontecimento que por si só já suficientemente histórico por conseguir finalmente unir Axl Rose e Slash no mesmo palco após mais de 10 anos. O grupo passou pelo Brasil em Novembro desse ano, fazendo shows memoráveis que contaram com hits como "Welcome To The Jungle" e "Sweet Child O' Mine", além de favoritas dos fãs como "Rocket Queen" e "Yesterdays". Por falar em reunião, também foi esse ano que foi anunciada a tão aguardada união dos membros originais do Helloween.   E não foi só isso: O grupo detentor de sucessos como "Future World", "I Want Out" e "Eagle Fly Free" já anunciou dois shows em São Paulo, no fim do ano que vem. (2017).

Enquanto alguns se reúnem, outros se desfazem, como é o caso do Black Sabbath, que esse ano deu início a sua turnê de despedida dos palcos, "The End" marcada para terminar em Fevereiro do ano que vem. A turnê acabou de passar pelo Brasil, e promete ser a última passagem dos pioneiros do heavy metal pelo país. Além disso, duas lendárias bandas já anunciaram suas respectivas turnês de despedida, ambas marcadas para começar em 2017. Umas delas é o Rhapsody Of Fire, que anunciou que a sua turnê de reunião será realmemente a última, e a outra é Deep Purple, pioneiros do Hard rock que já divulgaram que a turnê de divulgação de seu novo disco será a última da banda. Nenhuma das duas bandas confirmou shows no Brasil por enquanto.

Resultado de imagem para david bowie blackstar2016 também foi um ano de perdas, dentre elas a de David Bowie. Bowie, que já sofria de câncer há mais de 10 meses antes de falecer, nos deixou um último registro de estúdio, "Blackstar", que até o dia de hoje é rondado de mistério, devido às diversas mensagens e metáforas deixadas pelo cantor no disco. Outro cantor que nos deixou foi o grande Leonard Cohen, falecido do dia 7 de Novembro, que também nos deixou um grande último disco, "You Want It Darker".

Também foi um ano memorável de shows no Brasil. Recebemos a "The Book Of Souls Tour" do Iron Maiden e a primeira passagem do Megadeth com Kiko Loureiro pelo país, em suporte do álbum "Dystopia". Foi realizada também a primeira edição do Maximus Festival, festival brasileiro e argentino que já em sua primeira edição recebeu lendas como Rammstein e Marilyn Manson, e que já tem sua segunda edição agendada para Maio de 2017, já com Linkin Park e Rise Against confirmados no line-up

E, é claro, não poderíamos deixar de mencionar os lançamentos desse ano, que não foram poucos. A começar pelo aguardado "Hardwired...To Self Destruct", novo álbum do Metallica que dividiu opiniões. Além disso, mais dos membros do Big 4, Megadeth e Anthrax, trouxeram álbuns consistentes e surpreendentes, respectivamente "Dystopia" e o impressionante "For All Kings". Também uma lendas do Thrash, o Testament e Death Angel nos trouxeram o incrível "Brotherhood Of The Snake" e o conciso "The Moth", mais pesados do que os de seus "concorrentes". 
Na linha melódica, tivemos Epica com "The Holographic Principle", Rhapsody Of Fire com "Into The Legend", Tarja Turunen com "The Shadow Self" e Opeth com o polêmico "Sorceress", que não agradou os fãs mais convictos da banda, mas que foi bem recebido de uma forma geral. 
Tivemos grandes grandes estreias, como por exemplo, a banda Nordic Union e os ingleses do Inglorious, que trouxeram álbuns sólidos e grandiosos, além do ícone e lenda do Black Metal Abbath, que lançou seu primeiro álbu  solo esse ano, após se seprar do Immortal.
E por último mas não menos importante, o tributo ao blues de raiz feito pelos Rolling Stones em "Blues & Lonesome" e o eclético "The Getaway", primeiro álbum de estúdio lançado pelo Red Hot Chili Peppers desde "I'm With You", de 2011.. Rolling Stones que também fez história ao fazer um show gratuito na cidade de Havana, em Cuba, que já está disponível em DVD e CD.

Aqui, os autores e colaboradores do Rock Reviews Brasil fizeram suas respectivas listam com 12 álbuns que, na concepção de cada um, se destacaram e se consagraram como os melhores de 2016 (Ordem: Melhor para o "Pior").

Critérios:

1. Só serão considerados apenas álbuns completos, oficiais e inéditos, ou seja, EPs "(Popestar" do Ghost e "Death Thy Lover" do Candlemass, por exemplo), singles, bootlegs e edições remasterizadas de álbuns anteriores ao ano de 2016 serão excluídos;

2. Álbuns ao vivo não serão considerados para as listas; por isso discos como "Clean Your Clock" (Motörhead) e "Live At Red Rocks" (Disturbed) serão deixados de fora;

3. Lançamentos em DVD/Blu Ray não são considerados para a votação.


1) NATAN CARLOS CUNHA (COLABORADOR)

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1. Brotherhood Of The Snake (Testament)
2. The Getaway (Red Hot Chili Peppers)
3. For All Kings (Anthrax)
4. Dystopia (Megadeth)
5. Jomsviking (Amon Amarth)
6. Hardwired...To Self Destruct (Metallica)
7. Nordic Union (Nordic Union)
8. Mystic Prophecy (Mystic Prophecy)
9. Book Of Shadows II (Zakk Wylde)
10. The Fall Of Hearts (Katatonia)
11. The Holographic Principle (Epica)

12. Incarnate (Killswitch Engage)

2) ANDRÉ LUIZ OLIVEIRA (AUTOR)

Resultado de imagem para for all kings1. For All Kings (Anthrax)
2. Brotherhood Of The Snake (Testament)
3. The Holographic Principle (Epica)
4. Jomsviking (Amon Amarth)
5. Into The Legend (Rhapsody Of Fire)
6. Dystopia (Megadeth)
7. Soreceress (Opeth)
8. Blackstar (David Bowie)
9. Hardwired...To Self Destruct (Metallica)
10. Nordic Union (Nordic Union)
11. The Last Stand (Sabaton)
12. Inglorious (Inglorious)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Metallica: Muita competência, poucos resultados (Review: Hardwired...To Self-Destruct)

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Não tem jeito: Quando a banda de metal mais bem sucedida do mundo anuncia um novo álbum, as expectativas não são menos do que extremamente altas, especialmente após 8 anos do lançamento de "Death Magnetic". Mais um lançamento de peso de 2016, "Hardwired... To Self-Destruct" traz um Metallica mais focado e diversificado, trazendo músicas que vão desde o Thrash mais básico até a NWOBHM, que Lars tanto idolatra. Para quem estava esperando um álbum de volta às origens, o disco pode ser uma surpresa negativa, visto que traços e elementos de "Load" e "Reload" ainda se fazem bem presentes. 

"Hardwired..." é divido em dois discos e, consequentemente, apresenta dois momentos distintos: O primeiro, mais rápido e direto, começa no auge e descende até a última faixa, que não sai do lugar comum. O segundo momento (disco) é mais equilibrado. Começa inspirado e oscila entre altos e baixos durante toda a sua extensão. Ambos os discos apresentam pontos positivos e negativos em comum:

Pontos negativos: Novamente a banda se mostra competente, mas peca pelo excesso de clichês sonoros. Momentos monótonos como "Halo On Fire" e "Now That We're Dead" não trazem nada de novo, só o que fazem é "chover no molhado". Quantas vezes nós já não ouvimos os gritos de Hetfield após o refrão? Outra falha: O disco foi anunciado como "duplo", o que, naturalmente, exige músicas maiores. Isso nos mostra outro escorregão da banda: Faixas excessivamente longas, com seções instrumentais que muitas vezes não trazem nada de novo.

Pontos positivos: É impossível não se sentir satisfeito ao ouvir músicas como "Hardwired" e "Spit Out The Bone". Mostrando a velocidade e agressividade que a banda havia abandonado por tanto tempo, essas faixas trazem de volta o Metallica que todos admiram. Também se percebe uma banda mais concisa do que nunca, o instrumental está em perfeita forma e os vocais trazem mesma qualidade de sempre. Mudanças de ritmo, atmosfera variante e muitos riffs e solos mostram que a banda não perdeu o ritmo com o tempo.

No geral, "Hardwired... To Self-Destruct" é um álbum bom e consistente e que possui uma grande variação de altos e baixos, que não falham em satisfazer o ouvinte, mas que deixam aquela sensação de que a experiência poderia ter sido mais grandiosa. É um álbum feito especialmente para os fãs, que receberam um material bem diversificado e que deve ser apreciado com calma.

Última observação: Muitos chorus cativantes e instrumentais arrastados, que funcionarão muito bem nos shows as vivo da banda, que passa pelo Brasil no início de 2017, participando do Lollapalooza 2017..

DESTAQUES:


Resultado de imagem para moth into the flame metallica singleA faixa épica e grandiosa com muitas influências do Iron Maiden foi a última a ser disponibilizada antes da grande estratégia de marketing da banda (Gravar um clipe para cada música do disco e depois disponibilizá-los aos poucos em seu próprio site) ser colocada em ação. Tratando do mito grego de Atlas, titã que carregava o mundo nas costas, a faixa surpreende por seu arranjo igual, porém diferente. Já analisamos "Atlas, Rise!" em outra postagem, mas a impressão é a mesma: Uma faixa bem elaborada e feita na medida para agradar os fãs, principalmente após a dinamicidade da primeira faixa.


Esse é um bom exemplo de música que se encaixa muito bem dentro de um contexto, mas que se ouvida isoladamente se torna apenas mais uma faixa. "Moth Into Flame" pode ser considerada um dos pontos altos do álbum, apesar de não trazer nada de completamente inovador. Suas variações de ritmo, atmosfera e vocais muito bem colocados nos trazem uma experiência única. Para ler nossa análise completa dessa música, clique aqui.


Resultado de imagem para metallica here comes revenge lyricsAqui temos um momento de verdadeira inspiração. Com uma introdução que homenageia o clássico "Am I Evil" do Diamond Head (Música que o Metallica toca desde os seus primórdios e que também está presente no álbum de covers "Garage Inc."), evidenciando novamente a admiração da banda pela NWOBHM. "Confusion" traz diversos diferenciais com relação às outras faixas, muito devido ao seu instrumental sujo e intenso, com versos mais lentos e pesados. Tudo isso reflete a atmosfera e a temática de guerra que guiam a música e seu clipe. É uma música dramática, narrando musicalmente e liricamente a perda de consciência de mundo de um soldado num campo de batalha. O solo é mais melódico, lento e curto que os outros. Outro fator importante: O clipe casa muito bem com a música, nos mostrando uma mulher atormentada por suas memórias dolorosas dos tempos em que batalhava na guerra. Uma faixa direta e coesa, executada com profissionalismo e maestria pelo quinteto.
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Talvez a mais clichê do álbum, essa faixa se sobressai por sua natureza agressiva e misteriosa. Numa linha parecida com "Confusion", a música entra no psicológico e retrata a história bíblica de Caim e Abel, trazendo muito bem a atmosfera e o desejo de vingança contido na letra. O instrumental mais uma vez se prova um fiel aliado, combinando partes lentas e rápidas de forma bastante natural. O clipe é curioso, traz uma história no estilo fábula, trazendo personagens infantis, mas com temática e representações adultas. "Here Comes Revenge" se encaixaria muito bem no "Black Album" ou talvez no "Reload", é uma faixa que só peca por sua previsibilidade. 


Finalmente mais Thrash Metal. E dessa vez mais rápido do que o anterior. Sim, "Spit Out The Bone" traz de volta os tempos áureos de Kill Em' All e Ride The Lightning, com uma bateria agressiva e uma crítica social bem forte na letra e no clipe distópico que traz um futuro alternativo em que máquinas dominaram e destruíram o mundo. Já na seção intermediária, a faixa muda de proposta, trazendo uma seção melódica digna de épicos do Iron Maiden (É quase inevitável imaginar como seria se Dickinson cantasse essa passagem). Essa seção não dura muito, e logo a música passa para outro momento, de novo rápido e agressivo, que exala o caos e o desespero da humanidade dominada. Definitivamente um dos carros-chefes do disco.

Resultado de imagem para metallica murder oneTambém vale citar como destaque positivo a música "Lords Of Summer", música que a banda já vinha tocando em alguns shows e que está presente na versão deluxe do álbum que, além dessa faixa, traz covers de Ronnie James Dio, Deep Purple e Iron Maiden (Nada mais justo, depois de tantas semelhanças no disco), além da gravação de um show ao vivo gravado na loja Rasputin Music, na Califórnia.

Conclusão: "Hardwired... To Self-Destruct" pode não ser o álbum que todos esperavam e também pode apresentar diversas falhas, mas é inegável a qualidade do trabalho apresentado aqui. Pode não ser um disco inovador, mas não falha em prestar tributo às influências da banda, tantos literárias (Mais uma vez a banda menciona Cthullu, personagem de Lovecraft, na música "Dream No More") e musicais (Além das referências ao Iron Maiden, a música e o clipe de "Murder One" foram feitos em homenagem ao eterno ídolo Lemmy Kilmister, fonte de muitas inspiração para o Metallica). Não é um trabalho perfeito, mas também não pode ser desmerecido.

NOTA: 7,0

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Lado B: The Beatles

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Após ver o título dessa postagem, você deve estar se perguntando: E existe alguma música dos Beatles que não seja uma grande conhecida pelo público? Sim, é bem verdade que o quarteto de Liverpool consagrou diversos hits ao longo de sua carreira. Músicas como "All My Loving" e "Something" não nos deixam mentir. Porém, também é bem verdade que o vasto catálogo da banda esconde muitas pérolas que muiras vezes passam despercebidas pelo público em geral (Mas que são amadas pelos fãs mais fiéis), mas que estão apenas esperando para serem descobertas e apreciadas. Aqui, selecionamos algumas delas:

Resultado de imagem para sgt peppers capa1) She's Leaving Home

Escrita por Lennon e McCartney e lançada no grande "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", essa é,talvez, uma das mais belas canções do Fab Four. Paul conta que a inspiração veio de uma notícia do jornal "Daily Mirror" sobre uma garota que fugiu de casa, apesar de receber tudo de seu pai, que na época disse: "Nós damos tudo a ela, não entendo por que ela foi embora". O real charme dessa música está no seu instrumental, até então incomum para uma música dos Beatles. Conta apenas com John e Paul cantando, com o instrumental todo feito por instrumentos de cordas, que criam uma atmosfera dramática que casa muito bem com a temática da separação e da dor.


Resultado de imagem para beatles white album cover2) Long, Long, Long

Uma das mais notáveis composições de Harrison, "Long, Long, Long" é uma dos destaques do álbum "The Beatles", mais conhecido como "White Album" (Álbum Branco). É uma canção ambígua. Em uma primeira análise, parece ser uma música escrita para um amante, que o eu lírico reencontrou após um longo período de tempo. Porém, como o próprio Harrison afirmou mais tarde, a música se trata, na verdade, de Deus. Musicalmente, é uma faixa bem diferente, com um ar até meio assustador (Especialmente nos últimos segundos da música, que simulam a suposta morte de Paul McCartney). É difícil descrevê-la em palavras, pois se trata muito mais de uma experiência sensorial a ser sentida pelo ouvinte do que uma simples canção qualquer. É uma música arrastada, que conta com Harrison na guitarra e nos vocais e Paul no teclado, além de algumas mudanças de ritmos muito bem colocadas. Pode não ser uma das faixas mais conhecidas, mas que merece ser destacada pela sua grande variedade de elementos sonoros e pela inovação artística muito presente nas últimas gravações do grupo.

Resultado de imagem para beatles help cover3) I've Just Seen A Face

Uma das muitas canções de amor dos Beatles, "I've Just Seen A Face" trata da famosa expressão "Amor à primeira vista", como fica bem evidenciado nos versos inciais: "I've just seen a face / I can't forget the time or place where we just met / She's just the girl for me / and I want all the world to see we've met" (Eu acabei de ver um rosto / Não consigo esquecer a hora ou o lugar em que acabamos de nos encontrar / Ela é a garota certa para mim / E eu quero que todo o mundo veja que nós nos encontramos". A música não traz nada de inteiramente novo nem com relação à letra nem com relação ao arranjo, mas é uma faixa boa de ser ouvida. Com um instrumental que lembra em muitos aspectos músicas country. É rápido, mas não deixa de encaixar os versos corretamente na estrutura da música, nos dando uma música suave e estimulante.

Resultado de imagem para beatles rubber soul4) Think For Yourself

Uma das primeiras composições de George (E um de suas melhores) a entrar para um LP dos Beatles. Paul McCartney traz uma grande inovação aqui: Plugou seu baixo em uma caixa de distorção e conseguiu o efeito de fuzz, que traz o som sujo que domina a música por completo. É uma canção sobre separação, quebrando com as típicas odes melosas às garotas que a banda apresentava até então, já apresentando conceitos mais complexos que viriam a se uma parte majoritária das canções do grupo a partir de então. Porém, em sua autobiografia "I, Me, Mine", Harrison afirma que a música permite uma dupla interpretação, também podendo ser vista como um comentário político. É tida pelos fãs como uma das grandes faixas de "Rubber Soul", álbum que tua como um grande divisor de águas na carreira da banda.

Resultado de imagem para beatles magical mystery tour5) Flying

Compondo o conhecido álbum "Magical Mystery Tour" e também integrando o filme de mesmo nome, "Flying" merece ser citada por dois motivos: É a primeira música completamente instrumental da banda e também é a primeira em que os quatro membros foram creditados pela composição. É uma faixa curta (2 minutos e 15 segundos), que conta com um arranjo de Mellotron que faz o tema central e determina a atmosfera dominante da música. Seu título original era "Aerial Tour Instrumental" e tinha mais de 8 minutos de duração, que foram diminuídos para 2 minutos após ser cortado o loop que compunha o final da música, com um tipo de jazz acelerado, e que foi substituído pelo arranjo a de sons psicodélicos criado por John e Ringo e que hoje está no final da música. É interessante mencionar que esses sons já indicam a mudança social e artística que acontecia no final da década de 60, com a ascensão dos gêneros psicodélicos que dominariam cena musical na década seguinte.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Review: Atlas, Rise! (Metallica)

Resultado de imagem para metallica atlasSe "Hardwired" trouxe o peso de volta e "Moth Into Flame" trouxe a melodia, "Atlas, Rise!" pode ser considerada uma síntese das duas. Facilmente a melhor música do novo álbum lançada até o momento, é uma música que surpreenda, seja pela união de versos agressivos a pausas melódicas muito bem colocadas ou por apenas confirmar aquilo que todos já sabiam: O Metallica não é mais o mesmo. Não entenda isso como uma coisa totalmente ruim, mas também não como algo bom em sua totalidade. Se por um lado essa mudança de atitude significa o abandono de peças Thrash como "Master Of Puppets" e "Hit The Lights", por outro ponto de vista, isso mostra uma banda madura e sem medo de trazer novos elementos. Continuando a proposta já iniciada na boa (mas não excelente) "Moth Into Flame", "Atlas, Rise!" começa com uma introdução pesada e "groovada" ao estilo "Death Magnetic", atmosfera que se mantém pela grande parte dos versos iniciais. O refrão é o que realmente mexe com a cabeça do ouvinte, que se pergunta curioso: "Onde eu já vi isso?", "Isso é Iron Maiden?". Sim, as notas são as mesmas da já consagrada "Hallowed Be Thy Name", que aqui fazem um arranjo interessante em que o vocal acompanha a melodia das guitarras duplas. A semelhança com o clássico do Maiden se torna ainda mais evidente, após o segundo refrão, bastanta ouvir as duas músicas e comparar. A pergunta que fica é: Isso foi proposital? Bem, talvez nunca tenhamos a resposta Prosseguindo, a faixa tem uma pausa instrumental bem interessante, que começa com um solo típico de Kirk Hammet. Depois disso, somos levados a um tema central que vai subindo de tom gradativamente, e que depois corta para um trecho melódico que mais uma vez lembra produções do Iron Maiden. Por fim, a atmosfera pesada volta e os versos se repetem, terminando a música em mais um pequeno tema que se repete até o verdadeiro fim. No geral, é uma faixa bem produzida e bem mais sólida e consistente do que as duas anteriores. A expectativa para o novo disco só aumenta á medida em que são liberadas novas faixas e informações. "Hardwired...To Self Destruct" está previsto para ser lançado no dia 28 de Novembro.


NOTA: 9,2

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Testament: Fiel às sua raízes (Review - Brotherhood Of The Snake)

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Se existe uma grande injustiça no mundo do metal, é o fato do Testament não receber a atenção que merece. Já são mais de trinta anos que o grupo californiano vem trazendo grandes álbuns e incontáveis contribuições para o cenário do Thrash, estilo que a banda nunca abandonou desde a sua formação.

"Brotherhood Of The Snake" é, talvez, uma síntese de tudo aquilo que o Testament trouxe (e ainda traz) aos ouvidos dos fãs, mas também com influência de estilos mais novos e modernos. É um álbum de Thrash agressivo e direto, mas com uma boa presença de melodias tanto vocais como instrumentais. Seguindo uma proposta diferente dos discos anteriores, "Brotherhood" traz um conceito pré-estabelecido, como diz o vocalista Chuck Billy: "É um tipo de álbum conceitual.". Irmandades, sociedades secretas e aliens são alguns dos temas presentes no disco, que também traz temáticas reais e presenciáveis, como a legalização da maconha (Na música "Canna-Business") e a operação que matou Osama Bin Laden.

Uma das características marcantes em todas as faixas do disco é a grande frequência de mudanças de ritmo, tom e atmosfera em uma mesma música, criando assim pequenas esferas e universos dentro de cada canção, que se constroem individualmente e que fazem do álbum uma experiência bem mais baseada em cada faixa do que em um conceito geral.

DESTAQUES:


Abrindo com um Thrash Metal "de raiz", a banda aqui mostra que não perdeu o jeito durante os mais de trinta anos de carreira. Com um andamento bem marcado e ritmado, a faixa é guiada totalmente guiada pela bateria de Gene Hoglan, que protagoniza uma performance de tirar o fôlego. Chuck Billy mostra que não perdeu a forma em seus vocais sujos e agressivos que dão à música o peso que ela precisa. É interessante notar os aspectos melódicos já presentes na faixa título do álbum, principalmente no tema/solo do meio da música (Que lembra em muitas características alguns arranjos de Power Metal) , que imediatamente dá lugar à agressividade dos guturais de Billy, trazendo uma antítese interessante entre o melódico e o grotesco. A letra trata de uma suposta irmandade, datada de 6000 anos atrás, cujo objetivo consistia em acabar com a religião do mundo. Pode-se fazer um paralelo entre o que é descrito nessa faixa e as formas de governos atuais, principalmente por meio de versos como "Defending The truth and protecting the lies" e "They've been watchinig you, through shape shift eyes". A Música e a letra se combinam muito bem aqui, trazendo uma atmosfera única a esse que é um dos pontos altos do disco e que estabelece a direção que seria tomada nas demais faixas.


Mantendo a agressividade da faixa anterior  no riff inicial, "The Pale King" apresenta um arranjo mais moderno, evidenciando algumas influências mais evidentes (Lembra té o Hard Rock em alguns aspectos mínimos). Quanto a temática, Chuck é bem específico: "Quando Eric (Peterson, guitarrista e principal compositor desse álbum) me deu o título dessa música, imaginei um grande Alien branco tentando dominar a humanidade". Tal inspiração veio, como o próprio vocalista afirma, do programa "Ancient Aliens" (Alienígenas do Passado, em português). É bem mais melódica que a anterior, principalmente no refrão, que encosta um pouco no comercial. A grande questão é: Seriam essas quebras de clima melódicas uma coisa boa ou ruim? Não se pode determinar ao certo, mas pode-se dizer que é um recurso que, quando bem usado, traz uma nova proposta para as composições.

3) Seven Seals

Talvez a faixa mais épica de "Brotherhoord Of The Snake", esse é um dos melhores momentos do álbum para Eric Peters.  Apresenta uma boa interpretação de Chuck Billy (Que também cita essa como uma das suas músicas favoritas), mostrando mais uma vez a sua grande capacidade vocal, e também conta com várias seções bem definidas e que transitam naturalmente entre si. O refrão é simples, melódico e bem acessível ao público em geral. Foi uma das últimas músicas a serem compostas e traz à tona o conceito dos "Sete Selos", descritos no livro de "Apocalipse" da Bíblia. É realmente um dos momentos mais marcantes do álbum; conta até com um solo que lembra o Slayer, banda com a qual o Testament mantém boas lembranças.

As referências bíblicas em "Seven Seals"


A música faz referência ao livro de apocalipse, escrito pelo apóstolo João, o qual por meio de uma revelação divina escreveu o texto, direcionado principalmente às sete igrejas que estão na Ásia, as quais ele faz menção em sua dedicação.

O livro de apocalipse faz menção, em certas visões cristãs, ao final dos tempos, ao momento  em que um falso Deus se levantará , o qual a música faz referência no trecho "Beware as the false God deceives", criando uma ligação a vários trechos bíblicos, dentre eles Apocalipse 13:8,14 e 15, que dizem, respectivamente:  “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.”. Essa adoração é referente à besta, ou seja, o falso Deus que levará muitos ao caminho da perdição no final dos tempos, o qual será pregado por seu falso profeta nomeado anticristo, referente aos versículos 14 e 15- "E engana aos que habitam na terra e com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizesse uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia".

"E foi-lhe concedido que desse espirito à imagem da Besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da Besta."
A música faz outra referência que está no centro de seu tema e que lhe dá nome, relativo aos capítulos 5,6 e 8, os quais se referem ao livro com os tais sete selos, que é citado pelo versículo primeiro do capitulo 5- “E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos” descrito na música no trecho "Prophecy was written in the pages of old / what will theses words reveal locked away and hidden until teh end of time / the only way to open is to break all the seals".

Esse livro citado diz respeito ,na visão interpretativa, sobre o início do fim, o começo do apocalipse, que será iniciado por Jesus Cristo, citado na música “Revelation tells us, weep not behold for the lion of Judah prevails Christ wins the fight with Satan the devil he alone can now open the book from the seals”, referindo-se ao versículo 5 do cap.5.

Os outros trechos da musica referem-se aos Capítulos 6 e 8, nos quais é relatada a abertura dos 7 selos e suas consequências aos habitantes da terra, que serão assolados por catástrofes, guerra, morte, dor, sofrimento advindo do que foi escrito no livro dos 7 selos, marcado pela vitória de Cristo sobre a cobra do Éden, o diabo.


Conclui-se da música uma visão bíblica sobre os fins dos tempos marcada no refrão: "Till the end of time, as it was written, it's the end of the line, let it be done".    

4) Neptune's Spear

Sem dúvidas, aqui se encontra o ponto alto do disco. Com uma introdução lenta e pesada, que vai crescendo e construindo até os versos com um arranjo não tão inovador musicalmente, essa música é uma narrativa sobre a complexa operação que planejava matar o terrorista Osama Bin Laden, e que foi bem sucedida em sua missão. Foi uma sobra de estúdio das sessões de "Dark Roots Of Earth" (Álbum que antecedeu "Brotherhood Of The Snake"). Trazendo visões dos soldados americanos no fatídico dia, a música traz diversas referências explícitas acerca dos objetivos e dos motivos ("The Destiny of a nation, identity confirmed" e "Why Has It taken so long?)  por trás da operação que teve o mesmo nome da música, além de trazer detalhes de sua execução ("The target is now in position, shot, fire, in will" e no refrão "One Shot Kill), contando até com som de helicópteros nos final; simulando a chegada dos EUA em território inimigo. Em aspectos musicais, "Neptune's Spear" traz uma série de elementos distintos que se encaixam perfeitamente em um único ciclo. Possui um  refrão oscilante que sobe e desce e também um solo que, em primeiro momento, é bem técnico e rápido. Porém, o verdadeiro destaque está no melódico tema de guitarras gêmeas com pedal duplo ao fundo (Começa aos 2:55), precedido por um pequeno tema árabe (Muito bem pensado), que termina mo momento em que uma das guitarras mantém o tema enquanto a outra faz variações sobre ele. Percebemos também uma influência discreta da música clássica nessa passagem, principalmente no solo de Alex Skolnick. A música termina em uma base que se mantém até a chegada dos helicópteros. Sem falha alguma e precisa em todos os aspectos, essa é a faixa que resume o álbum.

5) The Number Game

Última e mais pesada do disco, "The Number Game" traz uma temática recorrente em músicas de Thrash: Serial Killers. Aqui temos um assassino que mata cada vítima e lhes dá um número, matando uma por dia (Por isso o refrão: "Forty Days, Forty Lives". Eric afirma que essa foi a faixa mais difícil de compor e gravar, devido a sua velocidade e técnica exigente. A sessão central da música lembra muitos arranjos dos estilos de  de metal moderno, como metalcore, devido a seu ritmo pesado e direto, praticamente guiado pela bateria, enquanto as guitarras e o baixo apenas acompanham o ritmo. Uma grande música para fechar o álbum em grande estilo.

NOTA: 9,5


COLABORADOR: NATAN CARLOS C. COSTA

FONTES:
https://www.youtube.com/watch?v=uROUJa2DLFc&list=PLB4brr7vf-P4abyzFKN3TIAFvwUQNA6Xx
Revista Rodie Crew, edição 213, 2016


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Arch Enemy: Termina uma Era, outra começa (Review - War Eternal)

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Os suecos do Arch Enemy são pioneiros em vários aspectos. Seja por serem uma das primeiras bandas de metal extremo a contar com uma mulher (Angela Gossow) nos vocais (O que é incomum, pelo fato dos vocais serem guturais) ou por serem um dos expoentes do estilo Death Metal melódico, que vem crescendo bastante nos últimos anos. Formada em 1995, a banda vez, desde o primeiro álbum, construindo uma carreira sólida e significativa, vide músicas como "My Apocalypse" e "Bloodstained Cross".
A importância de "War Eternal", décimo álbum de estúdio do grupo, vem do fato de que ele marca o fim de uma era: A consagrada vocalista Angela Gossow , que acompanhou a banda por mais de 10 anos, anuncia a sua saída da banda por motivos pessoais. Sua substituta seria Alissa White-Gluz, do também grupo de metal extremo "The Agonist".

Como em toda troca de membros de qualquer banda, as perguntas eram sempre as mesmas: O que será da banda agora? Eles permanecerão fiéis ao som antigo? O novo integrante dará conta de levar o legado adiante?

Todas essas questões foram respondidas em "War Eternal", talvez um dos discos mais significativos da banda até o momento. Rápido, agressivo e direto, o álbum traz uma atmosfera mais crua do que a dos álbuns anteriores, sem muitos adornos e melodias que se fizeram bastantes presentes em "Khaos Legions" e "Doomsday Machine" (Adendo: "Graveyard Of Dreams" e a "No Longer For This World") do disco fogem a essa regra. A primeira por ser uma belíssima faixa instrumental e a segunda por motivos que são entendidos ao ouvir o disco). Quanto ao vocal de Alissa não restam dúvidas: Ela conseguiu, e muito bem, manter e reinventar o legado da banda, e aind apor cima levá-lo a outro nível. O mistério e a tensão do álbum já são percebidos em sua capa. O que seria isso? Um ritual macabro? Não se sabe ao certo o que Costin Chioreanu quis transmitir com essas imagens enigmáticas, mas, vamos admitir, o resultado final foi excelente. 

Em suma, toda a atmosfera de "War Eternal" pode ser muito bem resumida nesta frase (com adaptações) de Michael Amott (principal compositor da banda):

"Se preparem, talvez essa seja a nossa obra mais malvada"



DESTAQUES:


A faixa título do álbum dispensa comentários. Veloz, dinâmica e sem espaço para descanso, o instrumental dessa faixa é preciso e mistura muito bem agressividade do Death Metal e os arranjos mais melódicos no refrão, criando uma atmosfera digna das melhores músicas do gênero. Alissa dá um show nos vocais, trazendo reflexões e verdades sobre o "campo de batalha" que é a vida e a batalha eterna que é sobreviver neste mundo. Não há para onde ir, não há para onde correr, a verdade é só uma. Uma ótima maneira de continuar (e até aumentar, em certo sentido) a atmosfera estabelecida na anterior "Never Forgive, Never Forget"... E o álbum está apenas começando.



Para aqueles que sentiam saudade de clássicos como "We Will Rise" e "Bloodstained Cross", essa é a música que trouxe as sensações de volta. Com um grande arranjo que nos leva à emoções variadas, essa faixa é uma obra apoteótica que deve ser ouvida mais de uma vez para ser apreciada em toda a sua essência. Usa a mesma fórmula de clássicos da banda: A introdução e os versos agressivos com um refrão melódico e épico com acordes que sobem e descem numa progressão dramática. É o Arch Enemy em sua mais pura forma, satisfazendo todos os que ouvem.




Todo álbum possui um carro chefe, e o de "War Eternal" é "You Will Know My Name". Dramática e mais leve do que as outras, A faixa começa com uma introdução de guitarra acústica ,que lembra em muitos aspectos as composições do System Of A Down, que logo dá lugar ao riff melódico característico da banda. Alissa realmente surpreende nos vocais, equilibrando perfeitamente a agressividade com a melodia dos guturais, comprovando-se digna de substituir Angela na banda. A música possui uma temática forte e recorrente: A sensação de ser invísivel e mal interpretado pela sociedade e pelos outros indivíduos, e a consequencia de estar sempre em julagamento; além da vontade de ter um nome forte e presente dentro de um grupo. temática que é exemplificada nos versos: "When I try to open up my heart, I'm ridiculed and torn apart"(Quando tento abrir meu coração, sou ridicularizado e dilacerado), "No more jokes I'll ever get to hear, behind my back, at my expense" (Sem mais piadas que não quero ouvir, pelas minhas costas, às minhas custas) e no próprio refrão da música: "Do you see me now?, Do you hear me now? You will know my name" (Você me vê agora? Você me ouve agora? Você saberá o meu nome.). Uma das melhores dl álbum, em conjunto com "As The Pages Burn" e uma outra que será citada mais à frente.


Pode-se definir "Stolen Life" como sendo a "faixa sinfônica" do disco. O destaque aqui, como o nome sugere, vai para o refrão, que faz uma síntese de power mteal com o metal sinfônico, num ritmo bem marcado e direto, com uma melodia oscilante que lembra aspectos mínimos uma música medieval. A música também dá título ao EP que foi vendido durante a turnê da banda pelo Japão, contendo, dentro outras coisas, demos de algumas músicas presentes no álbum. A versão ao vivo de "Stolen Life" (Assim como a de quase todas as faixas desse disco) merece destaque, por ganhar uma dimensão bem maior e mais impactante do que a de estúdio.


5) Avalanche

Também merece entrar na categoria "Música sinfônica" do álbum, apesar de ser mais agressiva. O destaque dessa vez vai para o instrumental, que começa lento com um piano e vai evoluindo até chegar numa base consistente e sólida que guia todo o resto da música. O refrão é memorável, traz uma série de elementos: Ainda na ponte, temos uma harmonia variante com um vocal estagnado. Na trasição para o refrão propriamente dito, pode-se perceber que a harmonia vai crescendo até chegar a seu clímax, um chrous simples (Em que se pode ouvir sutilmente o vocal limpo de Alissa no fundo) porém cativante. Em conjunto com “As The Pages Burn" e "You Will Know My Name", essa faixa constitui o núcleo essencial do álbum.

É claro que essa lista de destaques poderia se estender por linhas e mais linhas, afinal esse álbum é um dos mais consistentes da carreira do Arch Enemy. Mas, devem ser mencionadas também: "No More Regrets", "Garveyard Of Dreams", "Time Is Back" e "Down To Nothing" (Essa, particularmente, deixaria fãs de Canniabal Corpse bem satisfeitos com seus primeiros versos), todas faixas que seguem a linha apresentada nas 5 faixas acima citadas.

O álbum foi sucedido por uma turnê extremamente bem-sucedida que teve como ponto alto um show no lendário Wacken Open Air, que foi filmado para um futuro lançamento em DVD. Pensando em retrospecto, a sensação é a mesma: Alissa foi uma ótima adição ao grupo, que com certeza trará mais ótimos resultados daqui em diante.

NOTA: 8,8



Imagens retiradas de:

http://www.joelgausten.com/2014/05/review-arch-enemy-war-eternal-century.html
http://brutalymetal.foroactivo.com/t298-arch-enemy-stolen-life-ep-2015
http://www.loveispop.com/reviews/songoftheday-video-arch-ememy-war-eternal/
http://www.metalkingdom.net/album/arch-enemy-as-the-pages-burn/77331