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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Review #124 - Hollywood Vampires (Hollywood Vampires)


O ano era 1972 quando, no andar de cima do Rainbow Bar & Grill (O lar dos "vampiros de Hollywood"), se reuniam Alice Cooper, Keith Moon, Ringo Starr e muitas outras estrelas do rock com o simples imtuito de beber e bater papo até o amanhecer. O famoso "clube" se chamava Hollywood Vampires  e estava localizado na famosa Sunset strip, famosa avenida onde várias estrelas do Glam Metal, como Mötley Crüe, faziam apresentações recorrentes na década de 80. Em 2015, junto ao Faith No More, o foi anunciada a apresentação do tal Hollywood Vampires no Rock In Rio. Mas como? Acontece que, Alice Cooper (presidente do grupo) decidiu prestar uma homenagem aos amigos já falecidos. Com isso, se juntou a Joe Perry (Aerosmith) e Johnny Depp para formar o supergrupo que leva o mesmo nome do clube de Sunset strip. Mas o tributo prestado por Cooper foi muito além de apenas apresentações, pois ele se reuniu com diversos outros músicos e gravou um álbum inteiro de covers de músicas de seus antigos companheiros. A abertura do álbum se dá com uma breve narração feita por ninguém menos que Sir Christopher Lee, famoso ator e cantor de metal progressivo. Tal narração recebe o nome de "The Last Vampire" e logo dá lugar à "Raise The Dead" primeira música do disco. Composição autoral de Cooper juntamente com Depp e Bob Ezrin, a música é perfeita para a abertura definitiva do disco, com uma definitiva saudação aos seus antigos colegas, convidando o ouvinte a "ressucitar os mortos". Musicalmente, a faixa é um hard rock puro e sem muitos adornos, como se constumava fazer na década de 70. Seguindo, temos "My Generation", cover do clássico do The Who, que foi escrita por Pete Townshend. Nesta versão, tocada meio tom abaixo da composição original, Cooper lidera os vocais enquanto Depp e Tommy Henriksen fazem as guitarras e Bruce Witkin toca o baixo, fazendo releituras interessantes dos solos originais de John Entwistle. Seguindo, temos "Whole Lotta Love", consagrada canção do Led Zeppelin, presente em seu segundo álbum, Led Zeppelin II. Diferentemente da original, a música começa lenta e intensa, com o baixo fazendo o famoso riff da música enquanto Alice faz os vocais hipnotizantes. Porém, não demora muita para que o arranjo volte ao que era, dinâmico e intenso mas agora com o grande Brian Johnson (AC/DC) nos vocais, dando um ar a mais para a música. Seguimos então para um cover da banda Spirit, com a faixa "I Got A Line On You". A versão se mantém fiel a original, escrita pelo guitarrista Randy California, porém percebe-se um peso a mais. O destaque aqui vai para o solos muito bem executados pelos guitarristas. Seguindo no disco, temos um cover duplo da banda The Doors, com o medley "Five To One / Break On Through (To The Other Side)". A versão atual é nitidamente mais pesada e intensa que a original, apesar de manter o arranjo original proposto pela banda de Jim Morrisson. A transição entre as faixa é muito bem executada e trabalhada e os vocais rasgados e sujos de Cooper dão um outro clima à ambas as faixas. Um dos pontos altos sem dúvida. A próxima faixa também é um cover duplo, dessa vez homenageando o cantor Harry Nilsson. "One/Jump Into The Fire" é também um dos pontos altos do álbum, pois as releituras mais pesadas dão um clima mais hard rock às faixas, apesar dos vocais de Cooper não superarem os de Nilsson. Aém disso, temos a presença do ilustre Dave Grohl tocando a bateria nessa música. O destaque vai para o arranjo feito para "One", uma canção lenta mas que agora está imortalizada num espírito Hard Rock. Outra presença ilustre se dá em "Come And Get It", canção escrita por Paul McCartney e interpretada pela banda Badfinger na época de lnaçamento, mas que nsse disco é cantada pelo próprio McCartney que, além dos vocais, também faz o baixo e o piano da faixa. Paul já havia executado essa faixa em alguns de seus shows, mas com tratamento de estúdio ela ganhou uma nova vida. Também um dos pontos altos. "Jeepster", música lançada pela banda T-Rex, também recebe um novo tratamento aqui, com Cooper de volta aos vocais. Possui um arranjo que lembra as antigas músicas country americanas mas que também traz elementos do blues e do rock n' roll, o que dá um elemento de nostalgia interessante à faixa. Cooper surpreende com vocais limpos e suaves. Agora chega a hora de revisitar uma obra de um dos mais famosos membros do Hollywood Vampires, o grande John Lennon. A música escolhida foi "Cold Turkey", cuja versão feita pelo Vampires se mantém fiel à original, com uma pequena mudança no refrão, que agora se encontra mais destacado do que na música original. Já feitas as homenagens à The Doors, John Lennon, Led Zeppelin... O que mais faltava para que o álbum estivesse completo? Sim, um tributo ao mestre da guitarra Jimi Hendrix. "Manic Depression" é uma das favoritas dos fãs do guitarrista e é executada com maestria pelo supergrupo, com destque para o solo que lembra em muito os que eram executados por Hendrix. "Itchycoo Park" é uma música de pop psicodélico lançada pelo grupo The Small Faces na década de 60, e que também foi sorteada para receber uma nova versão feita pelo Hollywood Vampires, que dá um ar ainda mais psicodélico a faixa, o que faz com que ela se desprenda das demias do álbum, por não apresentar um arranjo pesado ou inspirado no Blues ou no Hard Rock. Mas é claro que o álbum não estaria completo sem uma canção do próprio Alice Cooper. A escolhida foi a icônica "School's Out", porém na versão de medley que vem sendo apresentada por Cooper em seus shows. "School's Out / Another Brick In The Wall Part 2" é uma junção de duas músicas que se completam de uma forma bastante harmônica. A parceria de Alice Cooper com Brian Johnson nos vocais volta nessa faixa, o que dá a ela o título de melhor do álbum. Porém, como uma última homenagem aos antigos amigos, Cooper e Depp apresentam mais uma composição autoral, "My Dead Drunk Friends". A faixa apresenta memórias de Cooper das noites vividas na Rainbow Bar com seus amigos bêbados e fecha o álbum com chave de ouro. Depois de ouvir um álbum como esse, era de se esperar que a banda fizesse uma excelente apresentação no Rock In Rio. Isso se confirmou na noite do dia 24 de Setembro, quando a bada subiu no palco e executou um show incrível, com participações de Andres Kisser (Sepultura) e Lzzy Hale (Halestorm). 

Confira as versões originais:

Manic Depression    (a qualidade da gravação é ruim, porém essa é a única versão encontrada online com Hendrix nos vocais)


NOTA: 8,5

domingo, 16 de agosto de 2015

Review #120 - Welcome To My Nightmare (Alice Cooper)


Genial. Assustador. Profundo. São esses e muitos outros adjetivos que definem "Welcome To My Nightmare", primeiro álbum solo de Alice Cooper. Após demitir os demais membros da banda que leva o mesmo nome, Alice nos leva a uma viagem fascinante por todos os cantos da mente humana e pelos pesadelos que nos atormentam durante a infância e, quando adulto, se sente culpado por um (suposto) crime que cometeu. E tudo isso se passa na mente de Steven, uma criança que é atormentada por pensamentos fantasiosos. A jornada começa com a faixa-título, "Welcome To My Nightmare" que, como o próprio título sugere, dá as boas vindas ao ouvinte que entra nos pesadelos do pequeno Steven. A música possui um arranjo diferente do que se espera de uma música de Alice Cooper. Começa com apenas um violão e com Alice praticamente sussurrando os primeiros versos, e vai desenvolvendo a partir daí. Depois da devida recepção, um dueto de guitarras introduz a próxima música e primeiro pesadelo de Steven, "Devil's Food". Com uma atmosfera bem cativante, a música é rápida e logo dá lugar a um grande monólogo feito por ninguém menos do que Vincent Price. Esse monólogo descreve uma série de objetos de uma coleção, até chegar no "grande prêmio": Um aranha Viúva Negra. Após descrever detalhadamente cada estágio do envenenamento causado por tal aranha, ouve-se Alice confirmando as falas do narrador, dizendo que todos seremos mortos se jurarmos lealdade à tal Viúva Negra. E todo esse suspense culmina na terceira faixa do álbum. "The Black Widow", melhor faixa do álbum, possui uma atmosfera mais intensa e pesada do que as outras duas faixas, exalando todo o perigo e grandiosidade da tal viúva negra. Trechos como "Our Minds Will be his toy" (Nossas mentes serão seus brinquedos) e "Our Brains are webbed in haze" (Nossos cérebros ligados como teias) apenas confirmam tudo o que havia sido dito sobre a criatura. "Some Folks" trata dos distúrbios e pertubações de um viciado. Pode ser considerada uma música auto biográfica, visto que Cooper estava dominado pelo alcoolismo na época. Agindo como um grito de socorro, a música apresenta outro arranjo bem atípico, com instrumentos de sopro e uma atmosfera bem alegre, sem mencionar a fantástica interpretação de Alice para essa música. A música contém diversas referências a drogas de todos os tipos. Quando Cooper profere a frase "Some folks love to see red" (Algumas pessoas amam ver o vermelho), está se referindo ao sangue que toma conta da seringa momentos antes da injeção de heroína no corpo. Em seguida, temos o grande hit do álbum: a balada "Only Women Bleed". Paralelamente ao contexto geral do álbum, a música trata de uma mulher em uma casamento problemático, fato que já foi confirmado pelo guitarrista Dick Wagner. Mas, se levarmos em conta o desfecho da história de Steven, essa música pode ter um significado bem mais obscuro e assustador (Nota: Essa é apenas uma suposição, pode não se revelar verdadeira) . A atmosfera alegre e cativante volta em "Department Of Youth", outro ponto alto do álbum. O destaque dessa vez vai para o arranjo bem trabalhado da música, que, juntamente com a letra, celebra a juventude e o sentimento de poder e imortalidade que é sentido quando somos jovens. Somos apresentados novamente ao lado mais... bizarro de Alice em "Cold Ethyl", faixa que repete a atmosfera da anterior e trata de um relacionamento entre um homem e um ser frio, esquelético e...sem vida, o que abre uma margem de interpretações para a música em questão. A história de Steven volta tona em "Years Ago", outro ponto alto. A faixa explora o passado do personagem, a sua infância problemática e seus amigos reais e imaginários. A volta da história principal também traz de volta a atmosfera assustadora e intensa, com um arranjo de violão e diversas mudanças de voz. "Steven" é a canção biográfica do personagem, onde ele apresenta a sua natureza bipolar e perturbada. Começando com um arranjo de piano dramático e envolvente e evoluindo para um arranjo mais pesado, com destaque para o solo de guitarra, a música traz uma nova realidade para Steven, onde ele, supostamente, mata alguém e percebe que está sonhando, pois alguém chama o seu nome. O Grande Final do álbum se dá em "The Awakening", que representa o momento em que Steven acorda em seu porão, faminto, confuso, sentindo falta de sua esposa. Seguindo uma trilha de manchas vermelhas, Steven logo percebe que suas mãos estão sujas de sangue. Este é um desfecho que cabe ao ouvinte desvendar. Teria Steven matado sua mulher? Seria apenas sua imaginação agindo novamente? A história de Steven parece terminar aí, mas os ouvintes são presenteados com "Escape", última música do álbum. Se interpretada paralelamente à história, a música se trata de como o personagem Alice Cooper toma conta de seu intérprete no palco, o que o faz esquecer da vida fora dos palcos. O mesmo sentimento já foi descrito por Paul Stanley do KISS quando se caracteriza como Starchild. Se levado em consideração o contexto da música, pode-se dizer que Steven se libertou e escapou. Mas, o fato é que "Welcome To My Nightmare" é uma obra-prima e um dos melhores trabalhos da carreira de Alice Cooper. E o disco é tão genial que inspirou "Alice Cooper: The Nightmare", um programa de TV exibido nos Estados Unidos em 1975 que chegou a ganhar um Emmy Award por sua grande produção. Além de tudo isso, esse álbum marca uma nova era na carreira de Cooper, pois, além de ser seu primeiro álbum solo, foi a turnê de promoção de "Welcome To My Nightmare" que começou a trazer toda a teatralidade exagerada dos shows que fizeram de Alice Cooper um artista conhecido mundialmente. O sucesso do álbum foi tanto que, 35 anos depois, foi feita uma continuação.


"The Nightmare Will Return"

NOTA: 9,1

sábado, 4 de outubro de 2014

Review #107 - Trash (Alice Cooper)

"Trash" é um álbum lançado em 1989 pelo lendário Alice Cooper, e é uma de suas mais consagradas produções. Reunindo grandes hits da carreira de Cooper, "Trash" foi o responsável por levar a sua carreira a outro nível. Para abertura, temos "Poison", maior sucesso de todos os tempos de Cooper. Com um riff marcante e um refrão envolvente que justificam o seu sucesso, a música é reconhecida até hoje com uma obra-prima. Quanto ao seu significado, não há dúvidas; a composição fala sobre um amor que não é possível, talvez até um pouco platônico. O seu sucesso foi tanto que a faixa possui diversos covers, com destaque para o feito pela cantora Tarja Turunen, ex-vocalista do Nightwish. Para continuar a atmosfera de "Poison"temos "Spark In The Dark", com elementos mais leves do rock n' roll e do hard rock antigos, e "House Of Fire", igualmente boa. "Only My Heart Talkin'" é um momento singular do disco, é uma power-ballad  que conta com ninguém menos do que Steven Tyler (Aerosmith) como convidado nos vocais; o que tornou a faixa bem interessante e bem única. Como se isso já não bastasse, a faixa´título, "Trash", conta com mais um convidado nos vocais, Jon Bon Jovi, da banda Bon Jovi, que fazia muito sucesso na época em que o disco foi lançado, o que de certa forma contribuiu para o seu sucesso. Como último destaque, pode ser citada a faixa "Bed Of Nails", que se assemelha bastante com muitas faixas de outras banda da época como KISS e Motley Crue. Alice Cooper é um astro muito bem reconhecido no meio musical, tanto pela sua música quanto pelo seus shows. e "Trash" apenas corrobora o seu talento e genialidade.  

NOTA: 8,5